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Existem mil maneiras de frequentar um estádio…

Por Manolo 28 setembro 2009 531 views Rua deserta
O novo conjunto residencial Highbury visto de cima.
O novo conjunto residencial Highbury visto de cima.

…inclusive como morador! O blog Thank God for Football deu o furo aqui no Brasil, e Lysiê Reis (professora da UEFS) nos repassou esta maravilha: um estádio inteiro transformado em conjunto residencial.

A história

O Arsenal Football Club, um dos mais tradicionais times de Londres, mudou-se em 1913 de Plumstead, no sul da cidade, para Highbury, ao norte. Teve de deixar seu tradicional estádio Manor Ground, onde o time jogara de 1888 até então, e alugar às pressas o campo do St John’s College of Divinity para continuar seus jogos.

Com rápido projeto de Archibald Leitch, arquiteto de diversos outros estádios do período, o Arsenal Stadium foi inaugurado antes mesmo de ter suas obras terminadas, já para a temporada 1913-1914. Em 1925 o Arsenal comprou definitivamente o campo por 64.000 libras, deixando de pagar as 20.000 libras de aluguel; isto abriu a possibilidade de reformas mais profundas, realizadas entre 1932 e 1936 com projeto de Claude Waterlow Ferrier e William Binnie.

A porta de entrada do estádio Highbury, tombada pelo patrimônio histórico, foi mantida como porta de entrada do condomínio residencial.
A porta de entrada do estádio Highbury, tombada pelo patrimônio histórico, foi mantida como porta de entrada do condomínio residencial.

Novos portões em estilo art déco foram construídos e a capacidade foi aumentada, permitindo público que variava entre cerca de 60.000 até o recorde de 73.295, registrado numa partida contra o Sunderland F. C. em 1935. Pouco restou do antigo projeto de Archibald Leitch após as reformas, e pouco se alterou no estádio por mais de cinquenta anos.

Após o desastre de Hillsborough, um dos piores da história do futebol mundial (com 96 mortos), a Inglaterra resolveu, dentre outras coisas, transformar todos os lugares dos estádios em cadeiras, de forma a não haver mais ninguém em pé nos estádios. Isto reduziu a capacidade do Arsenal Stadium para exatos 38.419 lugares, o que o tornou obsoleto; além disso, a expansão era dificultada pelo caráter residencial de toda a área do entorno e pelo tombamento da fachada Leste do estádio. Por diversas vezes o Arsenal se viu obrigado a jogar em Wembley. Por tudo isso, o Arsenal resolveu construir outro estádio, e em 2006 foi inaugurado o Emirates Stadium.

O conjunto

Até recentemente o estádio estava passando por reformas para transformá-lo num conjunto residencial chamado Highbury Square. Eis algumas de suas características:

Uma visão geral do centro do campo do antigo estádio Highbury, hoje transformado em conjunto residencial.
Uma visão geral do centro do campo do antigo estádio Highbury, hoje transformado em conjunto residencial.

a) apartamentos de um, dois e três quartos;
b) coberturas exclusivas;
c) jardins centrais em área de 8.094 metros quadrados, no local do antigo campo;
d) portaria 24 horas;
e) terraço/varanda na maioria dos apartamentos;
f) garagem subterrânea;
g) academia de ginástica com piscina;
h) próximo de lugares centrais de Londres (7min até King’s Cross, 15 min até Picadilly); e
i) próximo de várias estações de metrô (Arsenal, Drayton Park, Moorgate).

Os apartamentos têm entre 45 a 102 metros quadrados, mas só tem direito a uma tetéia dessas quem tem a partir de 325 mil libras, ou a partir de R$ 1 milhão.

O comentário

Assim que li esta notícia pensei: “mas por que não se faz algo assim para transformar imóveis vazios em casas para quem não tem?”

O Plano Municipal de Habitação 2008-2025 da prefeitura de Salvador, citando o Censo IBGE 2000 e estudos da Fundação João Pinheiro, diz explicitamente que o déficit habitacional quantitativo básico (ou seja, casas necessárias para que todos tenham casa e não precisem de aluguel, morar de favor ou em barraco etc.) é de 81.429 imóveis (vejam na página 26 do Plano), enquanto o mesmo Censo e os mesmos estudos registram 89.405 imóveis vazios em Salvador (vejam na página 18 do Plano).

Se estes imóveis vazios fossem arrecadados pelo Município como bens vagos – o que não é o caso com todos eles – e postos para cobrir este déficit, sobrariam ainda 7.976 imóveis para cuidar do déficit previsto graças ao crescimento demográfico.

Isto serviria, inclusive, para que o Município garanta para a realização das metas do Plano Municipal de Habitação um dos únicos recursos que diz ter: “aporte de terra para os empreendimentos”.

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